Hakani - Uma Voz pela Vida (Documentário)
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Pedido de oração pelo casal de missionários em Moçambique. Márcio e Luciene Peixera
- Pela provisão de recursos financeiros para o pagamento do Curso Básico de Teologia de 15 obreiros em Moçambique (12 X R$ 45,00 cada aluno);
- Pela irmã Catarina, que aceitou a Jesus lá em Moçambique, o marido é mulçumano, lhe espancava sempre e agora a expulsou de casa, com vários filhos, sem direito a nada. (Uma missionária deu trabalho doméstico na sua casa para ajudá-la). Essa irmã (Catarina) clama por nossas orações;
- Por uma irmã chamada Leonete, que também foi abandonada pelo marido muçulmano, por aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida;
- Pela adolescente Márcia (15 anos), que é professora da EBD infantil e por seu irmão Miguel que aceitaram a Jesus. A adolescente encorajada por seu irmão Miguel, se recusou a participar do rito de iniciação (uma cerimônia de prática de feitiçaria comum em Moçambique, incluindo conselhos, animismo e ocultismo, que ocorre quando as meninas chegam a puberdade). O irmão (Miguel) decidiu tirar a adolescente da família e mandar para outra cidade, pois eles foram escurraçados pela família e terão que assumir sua responsabilidade por aceitarem a Jesus e dizerem não ao ritual às práticas de feitiçaria. Eles pedem nossas orações e apoio financeiro. O nome dela é Márcia e o nome do irmão dela é Miguel;
- Pela saúde dos missionários Márcio e Luciene Peixeira e seus filhos;
- Pela salvação de almas em Moçambique;
- Pela manutenção o carro dos missionários Márcio e Luciene Peixeira(R$ 400,00) e por combustível mensal (R$ 350,00);
- Pela provisão de recursos para realização de desafios pessoais dos missionários Márcio e Luciene Peixeira (um ar condicionado, uma televisão, uma conjunto de sala e uma mesa com cadeiras).
Caso além das orações você se sentiu tocado pelo Espírito Santo de Deus e deseja ofertar financeiramente para a obra missionária em Moçambique - África. Você pode procurar o casal líder de Missões Mundiais (Ranilson e Lana Canuto) pelos telefones 9144-1845/9143-1245. Ou, se você preferir, você pode entrar em contato diretamente com os missionários Márcio e Luciene Peixeira (em Moçambique - África) pelos telefones abaixo ou fazer um depósito em suas contas correntes (informadas abaixo).
Mas pedimos que caso você decida ajudar financeiramente, pedimos para que você entre em contato conosco (Casal Ranilson e Lana – telefones: 9144-1845 ou 9143-1245) para que nós possamos ter controle da ajuda dada aos mesmo por membros de nossa Igreja e correr atrás para providenciar no que faltar.
Telefones dos Missionários Márcio e Luciene Peixeira (Pastor em Nampula – Moçambique) – 00(XX)258.84.057.0352 ou 00(XX)258.82.632.2474
Contas Correntes dos Missionários Márcio e Luciene Peixeira:
Banco do Brasil: Ag. 1815-5 C/C 8551-0 (Luciene s. Peixeira) ou
Bradesco: Ag. 1505-9 C/C 44582-7 (Márcio C. Peixeira)
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Jovem cristão é assassinado e decapitado por extremistas
Os militantes do Al Shabaab prometeram livrar a Somália do cristianismo e mataram Guled Jama Muktar, em 25 de setembro em sua casa, a cerca de 20 quilômetros de Mogadíscio. O grupo acompanhava cada passo da família desde que eles se mudaram do Quênia para a Somália, em 2008. Os militantes islâmicos estão lutando contra o governo de transição, para que possam ter o controle do país, e por isso atacam os cristãos e suas famílias, como nesse caso da família do jovem Guled.
Com base em conversas com os pais do jovem e seus vizinhos, uma fonte disse que os membros do Al Shabaab chegaram à casa de Guled às 6 da manhã, quando seus pais, que não foram identificados por segurança, estavam trabalhando em seu comércio.
Os extremistas encontraram Guled quando ele se preparava para ir para a escola. “Os vizinhos ouviram gritos vindos da casa, que pararam rapidamente”, disse a fonte. “Depois de um tempo, viram um carro branco deixando o local.”
Os vizinhos avisaram aos pais, que imediatamente voltaram para sua casa. Eles enterraram o corpo do filho rapidamente, temendo que os militantes pudessem matá-los. E, depois, fugiram para um destino desconhecido.
“Quando o incidente aconteceu, os pais dele me ligaram para dizer que seu filho havia sido morto e que eles temiam por suas vidas”, disse a fonte. “Desde então, não tenho mais notícias deles.”
TraduçãoLucas Gregório
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Uma outra Revolução
Não sei quanto aqui sabem, mas o retrato de Che Guevara, feito por Alberto Korda é uma das imagens mais reproduzidas da história da fotografia. Sim, é aquela imagem que simboliza um herói sério e determinado, que é vista sempre que o assunto é revolução. Ela estampa camisetas, bandeiras, braços (em tatuagens) e muros em muitas cidades.
Conhecemos essa imagem, do revolucionário argentino em Cuba, mas será que temos o entendimento de seus princípios, valores e conseguimos aplicar para mais de 50 anos depois do contexto de onde foram usados?
Bom, a resposta é longa, mas a intenção aqui é fazer um pequeno paralelo, com a revolução feita por outra pessoa: Jesus Cristo. Para nós, obviamente, Cristo é não só é a representação do próprio Deus, mas como é afirmado em Hebreus, “é a expressão exata do seu Ser”. Mas a ideia de entender, reproduzir e aplicar seus conceitos em nosso tempo é a mesma que muitos tentam fazer com os pensamentos revolucionários de Che. Nesse caso, o instrumento dessa revolução que chamamos de cristianismo é o amor.
Além da realidade cheia de contradições e um povo muito parecido com o brasileiro, em Cuba encontramos parte da família jocumeira, missionários dedicados na luta pela revolução de Cristo na vida das pessoas em meio a uma sociedade às avessas do resto do mundo.
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| Alejandro (de preto) e Elizabeth (de cinza), Com o genro Mauricio que estuda Design Gráfico na Universidade de Havana(mãos dadas com Elita, a filha mais velha) eles formam metade da equipe. No dia da foto não foi possível reunir todos os obreiros. |
A história toda começou em 1994 quando o casal Alejandro e Elizabeth tiveram a oportunidade de ler “Pode falar Senhor, estou ouvindo”. Encantados com a história eles oraram para conhecer alguém da organização missionária que conheceram no livro, já que não é tão simples para que um cubano possa sair do país. Uma semana depois, ao melhor estilo jocumeiro, um casal colombiano (atuais líderes da Jocum Colômbia) aparece para sondar a terra e preparar o envio de uma equipe de curto prazo. Desde então são 14 anos recebendo equipes e percorrendo toda ilha evangelizando, animando igrejas e falando do desafio de Deus aos jovens.
Apesar das dificuldades em outubro de 2008 eles oficialmente se tornaram uma base e estão realizando sua terceira ETED (11 alunos), que lá dura 1 ano por conta das dificuldades de tempo, logística e financeira. Além disso até 2009 realizaram 9 mini-escolas e 2 focalizadas em adolescentes. Muitos destes que foram treinados, hoje, são líderes, pastores e missionários em suas igrejas.
A equipe é formada por 8 pessoas, todos cubanos e mesmo sem uma estrutura física, além das escolas, eles têm criaram um fanzine com mensagens numa linguagem moderna e têm usado nas universidades, além do trabalho com igrejas. Para o futuro, os planos envolvem ETEDs com alunos de outras países, mini-escolas incluindo uma de artes e outra de impacto evangelístico para algumas regiões específicas do país.
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| Sala de aula improvisada na casa de uma das obreiras. A ETED tem 11 alunos e funciona assim: a cada mês eles se reúnem por uma semana. Os práticos são modulares também e a escola dura 1 ano. |
Cuba oferece um cenário grande de oportunidades e a Jocum lá está aberta para receber ajuda. Se você acredita que pode ajudá-los, mais do que isso acredita nessa revolução que Cristo pode fazer, não em uma pessoa, mas em uma nação. Não deixe de entrar em contato com Alejandro e Elizabeth pelo email elialeyjesus@gmail.com.
Fonte: JOCUM
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
China esconde três milhões de bebês por ano
Pesquisador descobre que anualmente, mais de três milhões de bebês chineses são escondidos pelos seus pais a cada ano, a fim de contornar a política do filho único.
Por Malcolm Moore em Xiamen
“Eu sou o maior opositor da política do filho único na China!”, ri Fu Yang, um homem magro e animado de 47 anos de idade, a medida que ele mexe e serve o chá. “Eu tive sete filhas, em apenas dez anos.”
Sr. Fu e sua esposa um pouco mais reservada estão entre os milhões de pais chineses que correm o risco de ameaças, multas e até prisão, por desacatar a política do filho único. O casal, que agora vive uma vida próspera numa pequena aldeia nos arredores da cidade ao sul de Xiamen, teve de fugir no passado de três outras províncias e esconder seus filhos com os amigos.
“Houve alguns momentos difíceis”, reconhece o Sr. Fu. “Nós fomos perseguidos e tivemos de viver como mendigos. Mas eu nunca pensei em fazer o contrário. Estou ciente de que muitas pessoas não querem suas filhas, mas temos um respeito decente pela vida. Na China, pensamos que, quando você tem um filho é como se você separasse uma parte de seu próprio corpo. Nós nunca consideramos outras opções “, disse ele.
Desde 1978, o governo da China limitou a cada casal uma criança, numa tentativa de conter o crescimento da maior população do mundo. Para fiscalizar a lei, comitês de bairro mantém um olhar atento para qualquer gravidez, e os oficiais de planejamento familiar têm o poder de obrigar as mulheres a fazerem abortos e esterilizações, bem como acompanhar a sua contracepção.
A política não se aplica a todos. No campo, os pais podem tentar uma segunda criança se a primeira for menina. Os casais que são ambos filhos solteiros são também autorizados a ter dois filhos. Um número crescente de chineses ricos também pagam taxas a fim de terem um segundo filho.
Mas para os pais que não cumprem a lei, as penalidades podem ser severas. Trabalhadores de empresas estatais, podem perder seus empregos. Outros encaram multas altíssimas, a possível demolição de suas casas, ou mesmo uma prisão.
“Quando eles descobriram que eu tinha sete filhas, tentaram derrubar a nossa casa, mas felizmente tenho boas ligações: meu tio é o chefe da aldeia”, diz Fu.
“Eles também queriam me multar em 600 mil yuans (R$ 160.000). Mas eu me recusei a pagar-lhes. Por fim, derrubaram apenas uma pequena parte de minha antiga casa e eu lhes paguei 2.000 yuans”, acrescentou.
Sr. Fu diz que conhece várias outras pessoas em seu vilarejo que também têm mais de um filho, e que ele tem incentivado sua filha mais velha, que acaba de lhe dar um neto, para continuar a gerar. “Eu disse a ela: não importa o custo, ela deve ter mais filhos”, diz ele.
Em milhões de outros casos, as famílias também estão preparadas para assumir o risco e infringir a lei, de acordo com pesquisa realizada por Liang Zhongtang, um demógrafo e ex-membro do comitê de peritos da Comissão Nacional de Planejamento Familiar e Populacional da China.
Examinando os dados do censo da China, o Sr. Liang se deparou com discrepâncias que provam a prática.
“Em 1990, o censo nacional apontou 23 milhões de nascimentos registrados. Mas pelo censo 2000, havia 26 milhões de crianças de dez anos, um aumento de três milhões “, disse ele. “Normalmente, você esperaria que houvesse menos crianças de dez anos de idade do que recém-nascidos, por causa da mortalidade infantil”, ele acrescenta.
Seus resultados sugerem que a lei do filho não produziu o efeito desejado, gerando ainda outros problemas. De acordo com dados da própria China, o desejo tradicional entre as famílias chinesas de ter um menino, juntamente com o regime de um filho, deve produzir um excesso de 30 milhões de homens em 2020, com muitos pais supostamente fazendo uso da ultra-sonografia para saber o sexo do seu bebê.
Os idealizadores da lei foram alertados que esses milhões de homens frustrados por serem incapazes de encontrar esposas, poderiam causar estragos na sociedade chinesa, levando a um acentuado aumento da prostituição e da violência.
Entretanto, o Sr. Liang diz que o desequilíbrio não é “definitivamente tão grave como as estatísticas indicam”. Ao invés de abortar fetos do sexo feminino, a pesquisa do Sr. Liang sugere que as famílias mantém as meninas, não declarando-as.
“O que acontece é que as meninas não planejadas geralmente não são registradas junto às autoridades quando elas nascem. As famílias esperam até que tenham seis ou sete anos e, em seguida, os governos locais tendem a não se preocupar tanto “, acrescenta.
“Assim que cada uma de nossas filhas terminou a amamentação, as enviamos para morar com um amigo ou parente”, diz Fu. “Elas foram para a escola, mas sem os documentos apropriados”, acrescenta. “Na época, as autoridades de planejamento familiar eram muito rigorosas e elas estavam prendendo as pessoas que passassem do limite”, diz ele.
“Mas, em Guangdong, eu tinha um amigo que era um bandido. Fomos juntos para o hospital e forçamos um médico a emitir um certificado dizendo que minha esposa tinha sido esterilizada. Dessa forma, quando as autoridades nos abordassem, poderíamos mostrar-lhes nossos documentos. Eles tinham de ser reais mesmo, pois os oficiais muitas vezes cruzavam as informações para terem certeza. ”
Entretanto a difícil condição de nascimento parece não ter afetado as perspectivas de futuro das crianças do Sr. Fu. Três das suas cinco filhas mais velhas são membros do partido comunista, enquanto as outras duas permanecem na escola. Uma de suas filhas está fazendo pós-graduação em Direito em Pequim, enquanto a outra está a ponto de assumir o lugar dele, como chefe dos negócios da família.
Tradução : Gean Pierre Freitas
Edição : Adriano Estevam
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Aja em favor do Pastor Yousef Nadarkhani condenado à morte no Irã
No último dia 29/09, o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) expôs no plenário do Senado Federal o caso do pastor iraniano Yousef Nadarkhani, que corre risco de execução por ter se convertido ao cristianismo. Neste mesmo dia, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), senador Paulo Paim (PT-RS), se comprometeu a pedir que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), enviasse uma carta à Embaixada do Irã em apoio ao pastor.Por esse motivo, a Portas Abertas convoca todos a encaminhar a carta proposta (faça o download do modelo aqui) ao presidente do Senado solicitando que ele envie em caráter de urgência este apoio oficial do Senado Brasileiro à vida do pastor Yousef ao governo do Irã. Conheça o caso do pastor Yousef.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Ela foi de Belém para as Nações.
Claudia Pires é uma paraense já há alguns anos servindo na Alemanha. É uma destas pessoas muito diligentes em tudo o que faz. Fez sua ETED no Brasil, integrando a primeira Equipe enviada de Fortaleza,CE para a China, em 2004. Depois de outras andanças, conheceu a Berlim pós-unificação e de lá conta pra nós um pouco do seu trabalho e desafios nesta grande metrópole.
JOCUM - Como você envolveu-se em Missões, há quanto tempo está na Alemanha, e por que Berlim?
Claudia - Eu comecei a me envolver com missões através de King’s Kids. Aos 17 anos fui pra uma campanha de verão e Deus falou comigo claramente sobre dar minha vida por amor a Ele e a outras pessoas, e eu topei. Desde então, eu sabia que seria uma missionária, mas não tinha muita ideia de quando seria isso ou como. O envolvimento com King’s Kids durou alguns anos, e com o relacionamento acabei me envolvendo também com outros ministérios de JOCUM na base de Belém, minha cidade. Um desses ministérios era o de Intercessão, e quando eles organizaram uma viagem de intercessão pra Europa (Itália), em 2001, me convidaram, foi a primeira vez que percebi a necessidade espiritual da Europa. Alguns anos depois fiz minha Eted em Fortaleza e fui à China para o tempo prático. Naquela época eu pensava que tinha chamado pra China, mas Deus me falou nessa viagem que eu não deveria focar em uma só nação. Então eu sosseguei e voltei pra casa. Após alguns anos resolvi fazer uma escola de cosmovisão cristã na Romênia, e meu foco se voltou de novo pro continente. Após a escola, senti que Deus estava me direcionando pra ficar na Europa e trabalhar com o impacto evangelístico que a JOCUM estava organizando pra Copa do Mundo de 2006 e talvez ficar algum tempo a mais por lá, servindo na escola de cosmovisão cristã que uma das bases alemãs oferecia. Eu havia estudado alemão na universidade, porque pensava em fazer um mestrado no país. Quando cheguei aqui vi a necessidade do país: as feridas causadas pela história, a necessidade de uma nova identidade nacional, a busca da juventude por sentido. Também vi o chamado da Alemanha para determinar novos rumos na história: desempenhando um papel decisivo na derrubada do Império Romano, mantendo certo senso de unidade na Europa Medieval, sendo berço da Reforma Protestante, participando do movimento de missõs modernas e influenciando o avivamento através dos Morávios, causando a Primeira e a Segunda Guerra Mundiais. Em suma, quando a Alemanha faz alguma coisa, é pra causar um impacto profundo em escala global, e isso é um dom de Deus pra ser usado pra glória d’Ele. E eu creio que Deus me trouxe aqui pra de alguma maneira influenciar esse lugar de influência. Por que Berlim? Berlim é uma das cidades mais fascinantes do mundo devido à sua história e por ter sido literalmente dividida pelas ideologias em conflito durante a Guerra Fria. A máxima de que “ideias tem consequências” é comprovada aqui dia após dia pela arquitetura, pela mentalidade e comportamento das pessoas, pelos serviços públicos, pela atitude (ou falta de atitude) perante a vida, pela confissão religiosa (51% dos habitantes da cidade se dizem ateus). Além disso, Berlim é a capital de um dos países mais ricos e influentes do mundo, onde as decisões afetam muitas nações. Após tantos anos de divisão e destruição, Berlim precisa ser restaurada e transformada, e só a verdade libertadora do Evangelho pode fazer isso. Meu desejo é poder contribuir pra isso.
JOCUM - Qual sua formação e área de trabalho?
Claudia - Eu sou professora de História e historiadora por formação, e isso é bem relevante pra trabalhar na área de cosmovisão cristã bíblica. Além de ensinar nessa área em diferentes escolas da Universidade das Nações na Alemanha e Europa quero poder estudar mais a Bíblia e a sociedade para assim desenvolver estratégias de como o Reino de Deus pode alcançar as diferentes esferas da sociedade. Meu sonho é discipular profissionais cristãos para que eles alcancem seus campos de trabalho e assim transformem sua realidade, sendo sal e luz para as pessoas e esferas em que estão envolvidos. No momento, estamos ainda no processo de pioneirismo da base em Berlim o que significa que eu faço de tudo um pouco…
JOCUM – Como o povo alemão lida com as memórias das guerras do último século?
Claudia - As memórias da guerra são ainda muito presentes. Só vindo aqui se pode perceber a influência e o peso que a história de um povo tem sobre ele. A geração pós-guerra cresceu em sua maioria sem pai, pois a maioria dos homens morreu no conflito. As mulheres tiveram que ser fortes, tanto pra manter e conduzir famílias, quanto pra sobreviver dos traumas de terem sofrido estupros e abusos de todo tipo (só na cidade de Berlin, 7 em cada 10 mulheres foram estupradas na época da rendição). Além disso, a vergonha de ter abrigado o nazismo, o sentimento de terem sido enganados e levados a ruína por Hitler, o medo de repetir os mesmos erros, tiveram um forte impacto sobre o povo. A grande maioria do povo, principalmente os mais jovens, não se orgulha de serem alemães, e tem o desejo de sair do país. Existe uma tolerância enorme com tudo, devido ao medo de repetir as atrocidades do nazismo, e qualquer tipo de crítica a um grupo social é percebida como perigosa. Por exemplo, quando uma Igreja Luterana ofereceu um workshop num congresso de jovens sobre “recuperação de homossexuais” foi criado um problema nacional, onde muitos acusaram os cristãos de intolerância. Além disso, a maioria da população das nações vizinhas não tem muita simpatia pela Alemanha, por causa dos abusos dos tempos passados. Enfim, ainda tem muito dever de casa pra vencer os traumas da guerra…
JOCUM - Depois de 20 anos da queda do Muro, quais as marcas visíveis que os anos da cortina de ferro deixaram no país?
Claudia - A herança da cortina de ferro é visível. O leste alemão ainda tem muita pobreza, e a mentalidade de dependência do Estado. Nessa área, o povo tem uma atitude mais negativa em relação à vida, o valor pelo indivíduo é bem menor, o que se reflete no péssimo atendimento ao cliente na maioria dos estabelecimentos, no tratamento dado aos alunos em escolas públicas, na dinâmica das famílias, que muitas vezes ameaçam os filhos mal-comportados de colocá-los no Kinderheim (tipo de “reformatório”), na maneira como as pessoas tratam umas às outras. O oeste é o clássico país capitalista pós-cristão, com muitas pessoas vivendo pra seu próprio bem-estar e sem alvos maiores do que sua própria prosperidade e confortos pessoais. A palavra de ordem no geral é Tolerância, o que torna difícil confrontar erros, como no exemplo que citei acima. Apesar dessas coisas, a igreja no oeste é grande, e muitas congregações são ativas em evangelismo e tem certa influência na sociedade.
JOCUM - A Igreja Alemã é também conhecida por suas ligações com os movimentos de oração e missões no século XVI. Hoje, qual é a realidade da Igreja Cristã na Alemanha? O que foi feito deste espírito missionário e reformador?
Claudia - A igreja alemã é um mosaico… as maiores são a Igreja Protestante (Luterana) e a Católica. Num país que passou pela Reforma, o Catolicismo adquiriu um perfil muito menos supersticioso do que o que a gente conhece na América Latina, e muitas igrejas católicas tem experimentado um mover novo de Deus, através de movimentos de oração e intercessão. Não é muito divulgado, mas o processo que culminou com a queda do muro de Berlin começou com vigílias de oração na Nikolai Kirche em Leipzig, lideradas por católicos, que resultaram nas marchas de paz em Outubro de 1989. A igreja Luterana é muito diversificada, tendo umas congregações onde o pastor é ateu e a igreja é cheia de gente idosa, bem devagar, e outras comunidades cheias de jovens e atividades missionárias. Também existem muitas igrejas independentes, pentecostais ou carismáticas, que tem crescido nos últimos anos, e se alinhado aos movimentos avivalistas internacionais. Aos poucos os alemães tem se tornado mais conscientes da herança dos Morávios e dos reformadores, e os cristãos tem buscado novamente em Deus esse espírito. A base da JOCUM em Herrnhut, onde viveram Zinzendorf e os Morávios, é uma das maiores bases missionárias da Alemanha e muita gente vai pra lá interessado nessa história. Nos últimos anos a igreja em geral tem buscado reviver essa herança através de mais iniciativas evangelísticas e tem havido um movimento bem consistente de oração pela nação e por avivamento.
JOCUM - Na sua opinião, qual é o maior desafio do movimento missionário na Alemanha de hoje?
Claudia - Desafios… bom, isso é o que mais tem… primeiro, penso que a igreja deve mudar sua perspectiva, muitas igrejas se veem só como um lugar de comunidade, e comunidade é algo necessário aqui, mas a igreja também é mais que isso. Penso que a igreja alemã precisa se entender enquanto missão pra esse país e essa sociedade. No momento em que isso acontecer, e cristãos viverem na perspectiva de “Como viver o Reino de Deus aqui e agora?” esse país muda! E acho que como fruto disso, a gente vai ver um número maior de alemães indo aos confins da Terra como missionários. Em geral, alemães adoram viajar, amam lugares remotos e culturas diferentes e têm uma paixão por ser úteis e servir nesses lugares. Além disso, fora da Europa, alemães tem boa aceitação em muitos países, inclusive todo o Oriente Médio, e através de negócios podem entrar em qualquer lugar. Um outro desafio é o de alcançar a população imigrante que mora aqui. Berlim é a terceira maior cidade turca do mundo, e muitos cristãos se deixam tomar pelos preconceitos e medos que afligem o resto da sociedade, e evitam os imigrantes. Penso que é uma oportunidade única, ter o mundo todo aqui na sua porta, e poder pregar livremente pra eles, e a igreja tem que levar isso a sério.
JOCUM - Quais são as opções práticas de envolvimento para quem deseja servir em Missões na capital alemã?
Claudia - Pra servir em missões aqui de maneira prática, se começa orando… é incrível o peso espiritual com que a gente luta todo dia aqui. Segundo, temos Escola de Treinamento e Discipulado (ETED) planejadas pra Janeiro e Setembro de 2010, qualquer pessoa com inglês ou alemão fluente pode participar. Fora da JOCUM existem muitas iniciativas de implantação de igrejas em Berlim, e todas clamam por missionários e evangelistas. Também nos meses do verão europeu recebemos muitas equipes de todo mundo, interessadas em oportunidades de curto prazo para evangelização e serviço na cidade. Se alguém quiser vir com uma equipe próximo ano, é só entrar em contato com a gente, já tivemos algumas equipes de King’s Kids do Brasil, e foi muito legal!!
JOCUM - Que conselhos você dá a quem inicia agora a jornada missionária?
Claudia - Muita gente pensa que vai um belo dia pegar o avião e ao pisar no campo missionário vai ver as coisas acontecendo magicamente, só porque tem um chamado; mas existe um preço alto pra pagar, em trabalho, oração, preparação e constante transformação no caminhar com Deus. Desenvolva seus dons, estude, aprenda, seja excelente! Procure crescer em seu relacionamento com Deus, tente diferentes ministérios, descubra o que você ama fazer, e faça coisas que não gosta tanto, pra aprender e pra servir os outros. Sirva sem esperar recompensa! Não deixe nada nem ninguém ficar entre você e Deus, faça de seu relacionamento com Ele uma prioridade, ouça-O e obedeça-O!! Aprenda a se relacionar com as pessoas!!! E coloque suas expectativas e frustrações não em pessoas, locais, organizações ou ministérios, mas só em Deus!
Para conhecer mais sobre o trabalho de Claudia e a respeito de oportunidades de ministério em Berlim, visite www.ywamberlin.org ou escreva para claudinhavp@hotmail.com .
Por Adriano Estevam – Revisão : Lidiane Viana
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